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  • Claudio Girardi

Porque a música é a única indústria onde os criadores, investem para disponibilizar de graça?

Atualizado: 11 de Fev de 2019

A maioria das pessoas tem a falsa impressão de que a música é, ou tem que ser de graça, e é nisto que querem que você acredite.

Ah lá vem mais uma teoria da conspiração!

Mas a música não toca no rádio de graça?

A música toca de graça na TV, na internet certo?

Errado!



As grandes questões são:


Como um artista conseguiria continuar produzindo sua música sem nenhum dinheiro?

Porque a música tem que ser a única indústria onde os criadores, investem, tempo dinheiro e tem por obrigação dar de graça para todo mundo o seu produto e seu investimento?

A resposta é simples: é pelo mesmo motivo que as indústrias de carros não dão carros de graça para a população, apesar dos carros poderem beneficiar a população com transporte, afinal a indústria investe em pesquisa, compra de matéria-prima, salários de funcionários, impostos e etc, então entende-se que existe uma cadeia produtiva envolvida na produção de carros, e o mesmo acontece na indústria da música, existe uma cadeia produtiva envolvida, os criadores ( pesquisadores ) os músicos – empregados, engenheiros de áudio, estúdios de gravação, fábricas de instrumentos musicais, de equipamentos para gravação, equipamentos para ouvir música como rádios, celulares, computadores, caixas de som e por ai vai. Aquela música que você ouve na rádio, alguém está pagando por ela, e você também paga, sabe a rádio que você ouve ela paga conta de luz, impostos, salários dos funcionários, manutenção, taxas de funcionamento e direitos autorais, e você no mínimo paga conta de luz para poder ouvir a sua rádio preferida, e se você falar que ouve no carro, você teve que abastecer o tanque de combustível, ou até mesmo consome algum dos produtos anunciados, e se ainda assim não ficar tentado a consumir alguns deles anunciados na rádio.

Sim aqui o ponto mais crítico, rádio tem que pagar direitos autorais para poder veicular as músicas, é ai que a maioria das pessoas têm a resposta que contém no nosso inconsciente coletivo: poxa, mas a rádio tem que pagar direitos autorais para o artista, compositor? Eles já não tocam a música do artista de graça, e já estão fazendo um bem para a arte dele, promovendo a música dele, certo? Errado!

Você já se perguntou como que a rádio consegue dinheiro para pagar as suas contas, a eletricidade, o aluguel, os funcionários para que ela possa manter as portas abertas e transmitindo “entretenimento”, notícias ao público?

Vamos ao seguinte exercício:

Vamos retirar todas as músicas da rádio X, o que restaria? Como seria possível vender anúncios sem música? Como fazer uma chamada para uma notícia importante sem uma vinheta musical? Solução: O locutor aos berros no microfone para chamar a sua atenção! Ah aqui um ótimo exercício para o pessoal de startups: inventar um modelo de negócio disruptivo de Rádio sem música, uma ferramenta compartilhada com um algoritmo de inteligência artificial da economia mundial, um Uber da comunicação que será com certeza o próximo unicórnio bilhonário do mundo das startups!

Imagine o MacDonalds colocando uma propaganda na rádio sem nenhuma música, somente o locutor declarando a oferta, a promoção da semana, você deixaria o seu rádio ligado? Iria você ao MacDonalds enfrentar uma fila para comprar aquela oferta que você ouviu na rádio? Seja sincero. Bom se isso se aplica no modelo de negócio rádio, o que diríamos se retirasse-mos do Youtube, Facebook, Instagram, Spotify, Deezer, Tidal...... a música?

Uma coisa que as marcas e as agências de propaganda aprenderam bem cedo foi que a música conecta as pessoas, as agências entenderam que a música é uma forma de expressão que conecta as pessoas das mais diferentes tribos, classes sociais, costumes e até mesmo crenças, é meu amigo, até mesmo as igrejas sabem disto.

Um exemplo do uso da música para conectar um nicho de público específico foi o comercial da New Coke com o grupo de Hip Hop Run DMC, mas não foi só a Coca-Cola que quis se conectar com este público em específico:



Adidas também aprendeu a se comunicar com este nicho de mercado



Sabe com quem estas marcas estavam se comunicando? Com a população afro americana que passou a ter um poder de compra nos anos 80, e como as marcas poderiam se aproximar deste grupo de consumidores específicos mais rapidamente sem dizer que estavam querendo vender para eles? A música do gênero específico que essa população ouvia!

Outro exemplo de ações de marcas com públicos específicos utilizando a música são os “product placement” estas ações visam conectar as marcas com audiências específicas e preferencialmente jovens de um determinado nicho de mercado, ou seja, anunciam subliminarmente, e em alguns casos escancaradamente para a audiência de um determinado artista.


Aqui alguns product placements nada subliminares:

Neste tipo de ação, o product placement com artistas inicia-se numa relação de endorsement, o endosso do artista aprovando aquela marca ou produto para a sua audiência e este caminho também é inverso, aquela marca endossa o artista como figura relevante e reconhecida da marca como seu porta-voz.

Mas voltando a questão como que as rádios, plataformas de streaming, televisão pagam suas contas, eles pagam suas contas com venda de espaços publicitários, por isso que você é impactado por anúncios nestes meios de comunicação, e se você não quiser ser impactado, no caso da rádio, ou você troca de estação e torce para ter uma música que te agrade, ou desliga a rádio, nas plataformas de stream é só passar para o modo premium, mas mesmo assim tem uns banners de vez em quando e você recebe emails.

Na prática o que acontece com a maior parte do mercado da música independente é que os anunciantes ainda não estão interessados neles mas podem se interessar no público deles, mas mesmo assim eles precisam continuar a produzir sua arte, pagar contas, se vestirem, comer, se transportar como qualquer outra pessoa, pois no momento em que eles se tornarem relevantes para um determinado nicho de mercado, assim que tiverem um público que os segue, pode ter certeza que terá marcas querendo anunciar seus produtos com eles.


Agora que você entendeu que música não é de graça, passe a pensar e desenhar sua arte e carreira como um investimento de logo prazo.


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